ESCUTAR, REGISTRAR E INTERPRETAR: HISTÓRIA ORAL E MEDIAÇÃO DOCENTE NA PRESERVAÇÃO DIGITAL DAS MEMÓRIAS COMUNITÁRIAS
DOI:
https://doi.org/10.46550/am.v7i3.82Resumo
O artigo discute as possibilidades educativas da história oral na preservação digital das memórias comunitárias, com atenção à mediação docente no ensino de História. O objetivo é analisar como escuta, documentação e interpretação podem favorecer a aprendizagem histórica sem reduzir os testemunhos a registros neutros do passado. Desenvolveu-se pesquisa bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa, fundamentada em estudos sobre fontes orais, memória social, patrimônio, tecnologias e práticas pedagógicas. A discussão organiza-se em três eixos: produção e disputas das narrativas, responsabilidades na constituição de acervos digitais e intervenções docentes voltadas à análise de evidências. Os argumentos indicam que entrevistas podem aproximar estudantes de diferentes gerações e experiências sociais, desde que sejam contextualizadas e confrontadas com outras fontes. Registros sonoros, vídeos e coleções digitais ampliam as possibilidades de acesso, mas também exigem cuidados com consentimento, autoria, integridade e permanência dos arquivos. A atuação do professor é decisiva para formular problemas, orientar comparações e acompanhar a revisão de interpretações. Conclui-se que preservar tradições não significa fixar costumes, e sim reconhecer sujeitos, transformações e direitos envolvidos na transmissão cultural. O estudo possui alcance teórico e não apresenta resultados de intervenção empírica em escolas. A contribuição está na articulação entre respeito aos narradores e investigação.

